sexta-feira, setembro 30, 2005

37a bicicletada


(clique nas imagens para ampliá-las)
A 37a Bicicletada de São Paulo começou com alguns trabalhos manuais.



Placas inspiradas em Duchamp avisavam que o motorista não estava tendo uma alucinação: "isto é um carro". Na hora do rush da última sexta-feira (30), nossas bicicletas passaram a ocupar o espaço de um automóvel com a ajuda de algumas bóias de piscina, fios de barbante e cartazes "hecho a mano".



Ocupando a segunda faixa da Paulista para mostrar que bicicleta também faz parte do trânsito, economiza espaço, não polui, humaniza a cidade, permite a convivência e ainda diverte quem a utiliza.



Muitos motoristas apoiaram a inciativa, acharam a manifestação divertida e sentiram por não estarem pedalando conosco. Um pedestre aplaudiu, o outro gritou: "é isso aí!". Passageiros de ônibus vibraram e desejaram boa sorte.

No trânsito parado, panfletagem e conversas com os motoristas sobre o espaço ocupado pelos automóveis, sobre as causas do trânsito e as alternativas para o caos paulistano.

Mas nem só com rosas e alegria se faz uma bicicletada: meia dúzia de motoristas enfurecidos, estressados e angustiados xingaram os pedalantes (claro, só depois de passar pelo lado e ganhar uma boa distância para que o xingamento fosse feito "com segurança").



Lá pelas tantas, uma moto da CET encosta e diz: "para a direita, para a direita". Não fomos, pois a lei nos permite trafegar na segunda pista em vias com corredores ou vias exclusivas para ônibus. Conversa vai, conversa vem, o motoqueiro informou que algum motorista tinha ligado para a central informando que alguns ciclistas estavam "atrapalhando o trânsito" na avenida paulista.

Além de cometer infração ao usar o celular dirigindo, o pobre motorista não sabe contar: se olhasse ao redor, veria que eram seus milhares de colegas motoristas solitários que estavam a causar o congestinamento e não a meia-dúzia de bicicletas coloridas.

Depois de muita conversa sobre o caos motorizado, o motqueiro desejou "boa sorte" e recomendou cautela: estávamos no meio de pessoas armadas e estressadas, capazes de matar um semelhante pelo simples impulso de querer chegar mais rápido até o próximo congestionamento. Sorrimos, desejamos boa noite e fomos curtir a noite.

Em outubro estamos de volta: sempre na última sexta-feira do mês, às 18h, no finalizinho da Paulista (quase na Consolação).


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Comments:
É isso aí! maravilhosa iniciativa! é uma pena que aqui no RJ o pessoal não se manifeste por essa causa, as ciclovias do rio nao servem pra NADA! foram feitas para o pessoal da zona sul (ricos) ficarme passeando pela praia de bicicleta somente como LAZER! é um absurdo!

Parabens e força para continuar, o futuro é das bikes!
 
muito bom, muito bom.. a atividade e o artigo... longa vida
n. l.
 
Espetacular mesmo!!!!

Essa idéia foi ótima, caraca!!!!

Pena que eu não tenho como ir nas bicicletadas, pois estou trabalhando nesse horário.

Parabéns mesmo.

um abraço
Daniel
 
Pena que perdi, não pude ir por motivos pessoais, felismente não estava preso no trânsito nesse horário!!! Deve ter sido uma cena interessante argumentar com o CET, que bom que vcs conseguiram convence-lo ao contrário de certos motoristas em São Paulo.
Abraço
 
ahaha.. q legal...
'isto não é um cachimbo'
Será q motoristas entendem metalinguagem ou usam a semiotica?
hahaha

acho q nao.. nem mesmo uma ironia simples.
Pena q estava no trampo...
Valeus e bom pedal
 
O cara do CET ainda teve a manha de falar que nós deveríamos nos organizar mais, fazer mais volume pra enfrentar a massa motorizada. Mas, naquele momento, tive um lampejo, uma idéia: qualquer problema que eu enfrentar com relação a um motorista, vou ligar para a central do CET. Eu quero só ver se, quando eu estiver esperando pra atravessar a rua na faixa e os motoristas não permitirem, como acontece todo dia onde eu trabalho, vai aparecer algum guardinha do CET pra resolver a situação. Quero ver se há tanta prontidão em atender um pedestre.
 
Parabéns!!! Demais a ação!

O cara do primeiro coment, tá totalmente desinformado! :-)))

Abração
Zé Lobo
 
perdi por conta do joelho podre... ow, mandei o e-mail lá pra tpm, falei do apô, é nóis. no aguardo do set list ein... hahahha abs!!!!!!!!!
 
Fiquei curioso para saber qual tipo de argumentação foi usada. Mas acredito que vcs deram sorte já que, geralmente, falta discernimento por parte de quem tem o dever de "manter a ordem". Geralmente esse pessoal age com brutalidade e ignorância.
Um abraço.
 
haha maneiro. Posso usar as fotos?
 
Michel, fique a vontade com as fotos. O site inteiro é em copyleft. Só peço a gentileza de, se possível, citar a fonte (o blog). Valeu, abraço!
 
Zé Lobo
Desinformado? como assim? eu disse que o movimento foi um sucesso e que gostaria um desse no RJ, é só olhar as ciclovias do RJ e ver que todos só utilizam ela pra "passear pela praia" (ciclistas indo a 10 km/h e muitos pedestres andando e correndo), ou seja, a ciclovia do rj é de lazer sim e pessoas que vão para o trabalho como eu em velocidades maiores em cima da bike não podem usar a ciclovia pois ela fica lotada de "atletas" passeando, entendeu? eu critiquei foi a utilização das ciclovias do RJ
 
Pessoal da bicicletada, fiquei muito feliz com tudo que foi relatado sobre a bicicletada e fico mais feliz ainda por ver idéias sendo concretizadas e apenas sinto muito não estar participando ativamente. Tendo tipo alguns problemas de saúde além do meu joelho estourado que tem me impedido de pedalar, mas já estou fazendo algumas sessões de fisio e espero estar junto com vocês na próxima. Valeu! Bjs, Bi
 
Como assim? Parece que tá todo mundo ruim do joelho?! Amiguinhos, me parece que parar de pedalar não é a solução! Foi meu médico que disse... bom, depende também do problema de cada um.
 
Bem bacana! Tenho 41a. Nasci em Goiânia, mas, vivi toda a minha vida aqui, em São Paulo. E últimamente tenho sentido muita vontade de fazer alguma concreta por mim e pela minha comunidade,devo ter começado mal, porque, o meu blog, diz respeito as minhas paixões, considerações muito parculares que haverá (se isso acontecer), de afetar poucos e muito pouco. O que não será o caso do seu.
E partindo de mim, sinto que falta articulação ao cidadão comum. Sempre senti que os veículos, de forma geral, ocupam nossos espaços, e desde de criança que fantasio, que sensação, primeira, não teria um extraterreste pelos nossos ares! Vendo aqueles exércitos de máquinas, máquinas e mais máquinas e torres que reluzem a grande distância e na outra ponta, os condutores, e os que habitam e os que controem dentro de todos os veículos, dentro dos edificios, totalmente enlouquescidos!

Há de se andar mais de bicicletas sim, e esse seria apenas, o começo da grande simplicidade. A vida não conspira a nosso favor e pode nos abandonar entre um andar e outro, no meio da transição do sinal vermelho para o verde, ou o contrário. Até porque, a vida pode partir do meio do sono, ou bem antes que o próprio sono nos envolva; pode interromper-se no meio da caminho ou simplesmente, quando seguros, chegamos em casa.

Parabéns!
 
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