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Apesar da chuva fina que foi e voltou o dia inteiro, 18 pessoas apareceram na Praça do Ciclista para a Bicicletada de abril em São Paulo.
Celebrando o transporte inteligente, a convivência entre as pessoas e a construção de alternativas para a vida em cidades. Conversa, arte, pedalada e pizza. Afinal, estamos em São Paulo...
Celebrando o transporte inteligente, a convivência entre as pessoas e a construção de alternativas para a vida em cidades. Conversa, arte, pedalada e pizza. Afinal, estamos em São Paulo...
Final da noite, de volta à Praça.
Em maio tem mais:
[www.bicicletada.org]
[lista de discussão]
[relatos antigos]
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Não é exagero afirmar que a indústria automobilística paga as tiragens dos três maiores jornais paulistas aos finais de semana.
Folha, Estado e JT trazem encartados nas edições de sábado cadernos especiais de 8 páginas com anúncios de três montadoras.
Se somarmos o dinheiro arrecadado pelos jornais com classificados e demais anúncios de carros publicados fora dos cadernos especiais, talvez seja válido dizer que o lobby automobilístico é responsável indireto pelo pagamento também dos salários dos jornalistas, fotógrafos e até da moça do cafezinho aos finais de semana.
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Folha, Estado e JT trazem encartados nas edições de sábado cadernos especiais de 8 páginas com anúncios de três montadoras.
Se somarmos o dinheiro arrecadado pelos jornais com classificados e demais anúncios de carros publicados fora dos cadernos especiais, talvez seja válido dizer que o lobby automobilístico é responsável indireto pelo pagamento também dos salários dos jornalistas, fotógrafos e até da moça do cafezinho aos finais de semana.
Na semana passada, o caderno especial da Chevrolet (encartado no Estado de S.Paulo) se chamava "Chevrolet de Cinema".
Os títulos são auto-explicativos do que se vende e da forma como uma opção de transporte é vendida como necessidade vital e sinônimo de liberdade.
Os títulos são auto-explicativos do que se vende e da forma como uma opção de transporte é vendida como necessidade vital e sinônimo de liberdade.
E se você vai ao cinema, deve ter visto nos trailers o anúncio do Golf (nome de esporte chique), uma cópia invertida do filme Forrest Gump. No lugar da longa caminhada pelo mundo, o personagem da publicidade vende o tédio disfarçado de anestesia do ato de dirigir.
Na semana que passou o Conar (conselho de regulamentação publicitária) recomendou que a Fiat retire do ar o comercial de um carro que faz apologia à velocidade. A propaganda da Fiat é recheada por cenas de esportes radicais "para atrair o público jovem". Não foi o primeiro abuso, nem será o último.
Há dez anos, quem usava saltos de para-quedas em seus anúncios era a indústria tabagista. Os comerciais de cigarro foram proibidos.
As populações mundiais têm o direito de saber sobre a natureza danosa destes produtos, responsáveis por uma das maiores epidemias de saúde pública do mundo, que mata a cada ano 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, sem falar na destruição ambiental (vendida com selinho do IBAMA) ou nos inúmeros transtornos ambientais decorrentes do uso destes produtos.
Há dez anos, quem usava saltos de para-quedas em seus anúncios era a indústria tabagista. Os comerciais de cigarro foram proibidos.
As populações mundiais têm o direito de saber sobre a natureza danosa destes produtos, responsáveis por uma das maiores epidemias de saúde pública do mundo, que mata a cada ano 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, sem falar na destruição ambiental (vendida com selinho do IBAMA) ou nos inúmeros transtornos ambientais decorrentes do uso destes produtos.
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Inspirados pelo movimento de Massa Crítica, habitantes de mais de 300 cidades ao redor do planeta pedalam mensalmente pelo direito de circular com tranqüilidade todos os dias.
A Bicicletada não é apenas um passeio, é uma celebração do transporte sustentável e dos espaços públicos e humanos das cidades.
Para participar, basta aparecer. Equipamento de segurança, cartazes e alegorias são recomendados.
A Bicicletada não é apenas um passeio, é uma celebração do transporte sustentável e dos espaços públicos e humanos das cidades.
Para participar, basta aparecer. Equipamento de segurança, cartazes e alegorias são recomendados.
[fotos, vídeos e relatos]
[leia sobre Massa Crítica]
[imprima panfletos ou crie os seus]
[cadastre-se na lista de discussão]
[www.bicicletada.org]
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Em Portugal comemora-se hoje os 33 anos da derrocada facista e o fim do longo governo autoritário implantado por Oliveira Salazar em 1933.
Na madrugada de 25 de abril de 1974, cabos, capitães e militares de baixa patente saíram dos quartéis, tomaram as ruas e, com o apoio popular, desencadearam a Revolução dos Cravos.
No pimenta negra, alguns vídeos sobre o assunto e também uma cronologia do 25 de abril. Afinal, como disse o autor do blogue Menos Um Carro, sem a Revolução dos Cravos, "provavelmente não haveria blogues. Ou os posts teriam de ser autorizados pela censura. Ou haveria um server da PIDE (polícia política da ditadura portuguesa) a registar o meu IP sempre que escrevesse um post ou um comentário. "
Na madrugada de 25 de abril de 1974, cabos, capitães e militares de baixa patente saíram dos quartéis, tomaram as ruas e, com o apoio popular, desencadearam a Revolução dos Cravos.
No pimenta negra, alguns vídeos sobre o assunto e também uma cronologia do 25 de abril. Afinal, como disse o autor do blogue Menos Um Carro, sem a Revolução dos Cravos, "provavelmente não haveria blogues. Ou os posts teriam de ser autorizados pela censura. Ou haveria um server da PIDE (polícia política da ditadura portuguesa) a registar o meu IP sempre que escrevesse um post ou um comentário. "
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(reprodução: carta capital)
Grata surpresa foi encontrar a matéria "O totem do capital" na edição desta semana da revista Carta Capital. A foto que abre o texto poderia ser complementada com a legenda: "pontes, túneis e viadutos são estruturas caríssimas que servem para ligar um congestionamento ao outro, esvaziam espaços humanos e consomem recursos de todas as ordens. Costumam gerar a ilusão de velocidade, que se transforma na angústia cotidiana do trânsito".
Vale a pena ler a matéria inteira, que começa com o seguinte parágrafo "Assim como os antigos sacrificavam colheitas, gado e até os filhos a ídolos e ícones aos quais seus sacerdotes atribuíam poderes imensos e uma profundidade insondável, a humanidade da era industrial sacrifica tempo, espaço, riquezas naturais e, às vezes, as próprias vidas a essas máquinas às quais os publicitários atribuem virtudes igualmente mágicas. Até as guerras empalidecem ante as estatísticas do trânsito, sem que isso inspire tanto horror quanto seria de esperar. Trata-se de sacrifícios humanos socialmente aceitos."
(reprodução: carta capital)
Vale a pena ler a matéria inteira, que começa com o seguinte parágrafo "Assim como os antigos sacrificavam colheitas, gado e até os filhos a ídolos e ícones aos quais seus sacerdotes atribuíam poderes imensos e uma profundidade insondável, a humanidade da era industrial sacrifica tempo, espaço, riquezas naturais e, às vezes, as próprias vidas a essas máquinas às quais os publicitários atribuem virtudes igualmente mágicas. Até as guerras empalidecem ante as estatísticas do trânsito, sem que isso inspire tanto horror quanto seria de esperar. Trata-se de sacrifícios humanos socialmente aceitos."
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Como disse um amigo, a Veja é uma publicação que acabou há mais de uma década, mas ninguém percebeu. Outros costumam chamar de panfleto facista, coletânea de crônicas da extrema direita. Gosto mais da definição de que a Veja é um guia de auto-ajuda com pitadas de terrorismo midiático para as classes médias.
Por razões jornalísticas, fui obrigado a adquirir a edição de 4 de abril. Tentei negociar com o jornaleiro a compra apenas do suplemento paulistano, mas ele não topou e tive que trazer para casa também a edição nacional, que foi direto para a reciclagem após uma rápida folheada no banheiro.
Por razões jornalísticas, fui obrigado a adquirir a edição de 4 de abril. Tentei negociar com o jornaleiro a compra apenas do suplemento paulistano, mas ele não topou e tive que trazer para casa também a edição nacional, que foi direto para a reciclagem após uma rápida folheada no banheiro.
Veja São Paulo trouxe como matéria de capa "10 soluções para o caos". Na versão impressa, a reportagem é precedida por anúncio em página dupla de um... automóvel.

(bicicletada de fevereiro-sp)

Terrorismo midiático
(bicicletada de fevereiro-sp)
As 10 dicas são classificadas em "graus de viabilidade", seguindo critérios de "custo financeiro e político". Fala-se apenas no financeiro.
30% dos paulistanos possuem carros e andam praticamente sozinhos dentro deles.
A reportagem da Veja apresenta essencialmente paliativos para manter o paradigma insustentável de privilégio ao transporte individual motorizado às custas de fortunas saídas dos cofres públicos e privados, da degradação urbana e de muitas vidas perdidas.
A revista não cita em nenhum momento a necessidade de reduzir o uso do automóvel, não fala sobre bicicletas nem coloca a realização de pequenos deslocamentos a pé como uma necessidade urbana.
Não escreve uma linha sequer sobre a restrição ao estacionamento de propriedades privadas em espaços públicos, nem sobre restrições de velocidade e circulação, a não ser pela punição do motorista que desrespeita o "bom" andamento do fluxo ou através de cobranças de taxas dos motoristas.
Reduzir a velocidade do fluxo é uma necessidade para que pessoas possam circular com segurança em bicicletas, a pé, em motos, ônibus e até em outros carros.
Limitar o fluxo em algumas áreas ajudaria a evitar "acidentes" e preservar espaços humanos de cultura, lazer, arte, convivência, diversão, política, comércio...
Proibir o estacionamento de veículos em algumas ruas aliviaria o tráfego, além de permitir a construção de ciclovias, ciclofaixas ou espaços preferenciais para os ônibus. Com a restrição de estacionamento, seria possível também aumentar o tamanho das congestionadas calçadas, permitindo ainda a alforria de cadeirantes, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.
Mas a revista não fala de nada disso e ainda coloca um sinal vermelho para os investimentos no transporte público, considerados "de baixa viabilidade" (política?). A única "dica" sobre o assunto começa assim: "ao contrário do que muitas autoridades afirmam, o transporte público sozinho não é capaz de resolver todos os problemas do trânsito"...
30% dos paulistanos possuem carros e andam praticamente sozinhos dentro deles.
A reportagem da Veja apresenta essencialmente paliativos para manter o paradigma insustentável de privilégio ao transporte individual motorizado às custas de fortunas saídas dos cofres públicos e privados, da degradação urbana e de muitas vidas perdidas.
A revista não cita em nenhum momento a necessidade de reduzir o uso do automóvel, não fala sobre bicicletas nem coloca a realização de pequenos deslocamentos a pé como uma necessidade urbana.
Não escreve uma linha sequer sobre a restrição ao estacionamento de propriedades privadas em espaços públicos, nem sobre restrições de velocidade e circulação, a não ser pela punição do motorista que desrespeita o "bom" andamento do fluxo ou através de cobranças de taxas dos motoristas.
Reduzir a velocidade do fluxo é uma necessidade para que pessoas possam circular com segurança em bicicletas, a pé, em motos, ônibus e até em outros carros.
Limitar o fluxo em algumas áreas ajudaria a evitar "acidentes" e preservar espaços humanos de cultura, lazer, arte, convivência, diversão, política, comércio...
Proibir o estacionamento de veículos em algumas ruas aliviaria o tráfego, além de permitir a construção de ciclovias, ciclofaixas ou espaços preferenciais para os ônibus. Com a restrição de estacionamento, seria possível também aumentar o tamanho das congestionadas calçadas, permitindo ainda a alforria de cadeirantes, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.
Mas a revista não fala de nada disso e ainda coloca um sinal vermelho para os investimentos no transporte público, considerados "de baixa viabilidade" (política?). A única "dica" sobre o assunto começa assim: "ao contrário do que muitas autoridades afirmam, o transporte público sozinho não é capaz de resolver todos os problemas do trânsito"...
Na Veja, crianças dirigem carros e tapar buracos é prioridade
A primeira dica são as "pequenas medidas". O primeiro ítem, "tapar buracos"... Segundo a revista, custa pouco renovar o asfalto de ruas e avenidas para aliviar os solavancos. Não é bem assim. Apenas na primeira etapa (de três realizadas até agora) do programa de recapeamento da atual gestão municipal foram gastos R$50 milhões. Com o uso intenso das ruas e a baixa qualidade do material utilizado, boa parte das vias recapeadas já está cheia de buracos.
No mesmo ítem, a revista ainda cita a pintura de faixas nas ruas (não as de pedestre, claro) e a diminuição do espaço entre as faixas de rolamento para acomodar a frota crescente de automóveis.
Em seguida, a revista sugere um rodízio eficiente, cuja solução está no aluguel de leitores de placa, ao custo de R$1,1 milhão ao ano. Mais fiscais de trânsito são bem-vindos, diz a terceira dica, considerada de "média viabilidade".
No mesmo ítem, a revista ainda cita a pintura de faixas nas ruas (não as de pedestre, claro) e a diminuição do espaço entre as faixas de rolamento para acomodar a frota crescente de automóveis.
Em seguida, a revista sugere um rodízio eficiente, cuja solução está no aluguel de leitores de placa, ao custo de R$1,1 milhão ao ano. Mais fiscais de trânsito são bem-vindos, diz a terceira dica, considerada de "média viabilidade".

Terrorismo midiático
Enfim, o transporte público aparece na quarta dica. Apesar do começo tenebroso, a revista fala sobre a necessidade de ampliação dos corredores de ônibus, de multar automóveis que circulam pelas faixas exclusivas e de modernizar os trens da CPTM.
Mas o bom senso durou pouco. Em seguida, uma sugestão lamentável para favorecer o uso do transporte público: construir garagens nas estações de trem para que o paulistano da periferia deixe o carro e siga de transporte coletivo até o centro. Ainda bem que o governo do Estado entende que a instalação de bicicletários é uma alternativa muito mais barata, eficiente e sustentável de integração dos bairros mais distantes com as regiões centrais.
A reportagem segue: multar mais é a quinta dica. A receita obtida com as multas teria, segundo a revista, um "efeito colateral": o aumento no caixa da CET. Ué, mas a CET não é o órgão responsável pelo trânsito na capital? Explica-se: desde que a revista acabou, lá pelos anos 90, suas reportagens fazem a defesa incondional do Estado mínimo, da privatização de todos os serviços públicos. Dinheiro nos cofres públicos, para a Veja, é mau sinal.
E o que fazer com o montante arrecadado nas autuações? Construir um sistema cicloviário? Investir em transporte público ou em campanhas de educação? É claro que não. Segundo a Veja, o montante deve ser investido no controle do tráfego, alimentando a roda da fortuna: quanto mais automóveis circulando, mais recursos públicos gastos para permitir a circulação de mais automóveis.
Sobre as campanhas de educação, a revista destaca apenas um projeto entre tantos outros existentes e possíveis. Diz ainda que a CET recusou o tal projeto, apresentado há dois anos, e que o órgão gasta R$3 milhões em publicidade em 2006, valor superior aos R$500 mil da inciativa propagandeada.
Duas outras dicas trazem novamente a panacéia tecnológica como salvação para o caos. Pedágio nas regiões centrais, ao custo de R$250 milhões e controle automatizado de tráfego, pela bagatela de R$320 milhões.
"Metropoles do mundo todo perceberam que a única saída é administrar melhor o espaço disponível, investindo em tecnologia".
O que as grandes metrópoles do mundo descobriram é a necessidade de restringir o espaço devorado pelos carros particulares. Nos EUA, 43% da área das cidades é ocupada pelos automóveis. A última cidade a adotar uma medida de impacto foi Sevilha (Espanha), que pretende proibir o trânsito de veículos particulares em todo o centro histórico.
A revista sugere ainda retirar de circulação os carros em más condições. Uma frase resume o raciocínio: "Esses carros atrapalham o trânsito, contaminam o ar e ainda podem causar acidentes". É óbvio que vistorias permanentes e a renovação da frota são medidas necessárias, mas vale lembrar que, por princípio, todos os carros atrapalham o trânsito, contaminam o ar e causam acidentes.
O gran finale fica pela restrição aos caminhões, outro absurdo do privilégio individualista propagado pela revista. Ao contrário dos automóveis, os veículos de abastecimento desempenham função pública, alimentando o comércio e os setores de serviços. Para a Veja, os caminhões só devem circular durante a madrugada. Melhor atrapalhar o sono dos vizinhos do que o fluxo de automóveis.
Mas o bom senso durou pouco. Em seguida, uma sugestão lamentável para favorecer o uso do transporte público: construir garagens nas estações de trem para que o paulistano da periferia deixe o carro e siga de transporte coletivo até o centro. Ainda bem que o governo do Estado entende que a instalação de bicicletários é uma alternativa muito mais barata, eficiente e sustentável de integração dos bairros mais distantes com as regiões centrais.
A reportagem segue: multar mais é a quinta dica. A receita obtida com as multas teria, segundo a revista, um "efeito colateral": o aumento no caixa da CET. Ué, mas a CET não é o órgão responsável pelo trânsito na capital? Explica-se: desde que a revista acabou, lá pelos anos 90, suas reportagens fazem a defesa incondional do Estado mínimo, da privatização de todos os serviços públicos. Dinheiro nos cofres públicos, para a Veja, é mau sinal.
E o que fazer com o montante arrecadado nas autuações? Construir um sistema cicloviário? Investir em transporte público ou em campanhas de educação? É claro que não. Segundo a Veja, o montante deve ser investido no controle do tráfego, alimentando a roda da fortuna: quanto mais automóveis circulando, mais recursos públicos gastos para permitir a circulação de mais automóveis.
Sobre as campanhas de educação, a revista destaca apenas um projeto entre tantos outros existentes e possíveis. Diz ainda que a CET recusou o tal projeto, apresentado há dois anos, e que o órgão gasta R$3 milhões em publicidade em 2006, valor superior aos R$500 mil da inciativa propagandeada.
Duas outras dicas trazem novamente a panacéia tecnológica como salvação para o caos. Pedágio nas regiões centrais, ao custo de R$250 milhões e controle automatizado de tráfego, pela bagatela de R$320 milhões.
"Metropoles do mundo todo perceberam que a única saída é administrar melhor o espaço disponível, investindo em tecnologia".
O que as grandes metrópoles do mundo descobriram é a necessidade de restringir o espaço devorado pelos carros particulares. Nos EUA, 43% da área das cidades é ocupada pelos automóveis. A última cidade a adotar uma medida de impacto foi Sevilha (Espanha), que pretende proibir o trânsito de veículos particulares em todo o centro histórico.
A revista sugere ainda retirar de circulação os carros em más condições. Uma frase resume o raciocínio: "Esses carros atrapalham o trânsito, contaminam o ar e ainda podem causar acidentes". É óbvio que vistorias permanentes e a renovação da frota são medidas necessárias, mas vale lembrar que, por princípio, todos os carros atrapalham o trânsito, contaminam o ar e causam acidentes.
O gran finale fica pela restrição aos caminhões, outro absurdo do privilégio individualista propagado pela revista. Ao contrário dos automóveis, os veículos de abastecimento desempenham função pública, alimentando o comércio e os setores de serviços. Para a Veja, os caminhões só devem circular durante a madrugada. Melhor atrapalhar o sono dos vizinhos do que o fluxo de automóveis.
Um amigo que tentou comentar a matéria através do site da Veja foi atropelado, literalmente, por um carro em sua tela. "Desisti, foi demais pra mim", comentou e mandou a foto.
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Já conseguiu se libertar da dependência do automóvel? Já consegue deixar o carro em casa para ir até a padaria, usa bicicleta ou o transporte público para alguns deslocamentos e redescobriu que suas pernas não servem apenas para apertar aceleradores e freios? Maravilha!
Que tal então testar o seu controle sobre um outro vício contemporâneo: tente deixar a televisão desligada entre 23 e 29 de abril. Faça o teste. Leia um livro, saia de casa, ouça uma música, brinque com os seus filhos, converse com a família, convide ou visite amigos.
Depois de uma semana, a chance de você perceber que não está perdendo nada, que não está menos informado e que teve bons momentos sem a tevê é bastante grande.
Mas se você sentir tremedeiras, tédio profundo ou falta de vontade de viver, é melhor deixar a tevê desligada por mais tempo. Talvez você esteja dependente das informações pasteurizadas, unidirecionais e monopolizadas exibidas em 99% das 24 horas do dia.
O pimenta negra traz alguns videos bastante ilustrativos sobre o assunto. E vale a pena dar uma olhada também no White Dot, que está propondo mais este momento de reflexão mundial.
Na terça-feira (24), por exemplo, você pode aparecer lá na Casa das Rosas para o lançamento do livro Marvadas, de Tião Nicomedes. Segue abaixo o convite.
Que tal então testar o seu controle sobre um outro vício contemporâneo: tente deixar a televisão desligada entre 23 e 29 de abril. Faça o teste. Leia um livro, saia de casa, ouça uma música, brinque com os seus filhos, converse com a família, convide ou visite amigos.
Depois de uma semana, a chance de você perceber que não está perdendo nada, que não está menos informado e que teve bons momentos sem a tevê é bastante grande.
Mas se você sentir tremedeiras, tédio profundo ou falta de vontade de viver, é melhor deixar a tevê desligada por mais tempo. Talvez você esteja dependente das informações pasteurizadas, unidirecionais e monopolizadas exibidas em 99% das 24 horas do dia.
O pimenta negra traz alguns videos bastante ilustrativos sobre o assunto. E vale a pena dar uma olhada também no White Dot, que está propondo mais este momento de reflexão mundial.
Na terça-feira (24), por exemplo, você pode aparecer lá na Casa das Rosas para o lançamento do livro Marvadas, de Tião Nicomedes. Segue abaixo o convite.
(clique na imagem para ver os detalhes)
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No último domingo, Dia da Terra, cerca de 50 mil cidadãos participaram do maior evento de massa crítica que se tem notícia até hoje. Ocuparam as ruas de Budapeste com suas bicicletas, patins e skates, celebraram o planeta, a convivência e as alternativas sustentáveis de locomoção.
No criticalmass.hu você encontra uma série de links para centenas de fotos, vídeos e notícias.
No velo.hu, um vídeo maravilhoso. O nijaalleycat tem mais vídeos, um deles com a clássica levantada de bicicletas. E outro ótimo do hgv.hu.
No criticalmass.hu você encontra uma série de links para centenas de fotos, vídeos e notícias.
No velo.hu, um vídeo maravilhoso. O nijaalleycat tem mais vídeos, um deles com a clássica levantada de bicicletas. E outro ótimo do hgv.hu.
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No último sábado (21) a cidade de São Paulo deu mais um passo importante na propagação das bicicletas como meio de transporte urbano.
Foi inaugurado pelo governo do Estado o primeiro bicicletário em uma estação do Metrô, a simbólica Guilhermina-Esperança, na zona Leste da capital.
Parabéns aos responsáveis pela iniciativa, que conseguiram superar o discurso que limita o planejamento cicloviário à construção de ciclovias. Permitir o estacionamento de bicicletas e integrar os ciclistas ao transporte coletivo é extremamente pertinente em uma cidade do tamanho de São Paulo.
Ainda que a construção de ciclovias seja muito importante, especialmente em vias de fluxo intenso, um planejamento cicloviário decente vai muito além.
Favorecer o transporte por bicicletas não é apenas segregar o ciclista em seu deslocamento, até porque é impossível criar vias exclusivas na cidade inteira. As ciclovias devem estar conectadas com rotas cicloviárias e ciclofaixas, não deixando de lado a existência de locais para estacionamento e a integração com o transporte coletivo.
Favorecer o transporte por bicicletas também passa pela educação, inserindo o respeito a pedestres e ciclistas nos cursos de formação de condutores, desenvolvendo campanhas educativas permanentes e também punindo os infratores.
O Código de Trânsito diz que a bicicleta é um veículo como outro qualquer, com circulação preferencial nas vias sobre os demais veículos. Os motoristas devem reduzir a velocidade e manter distância lateral de 1,5m ao ultrapassar ciclistas.
Não existe, no entanto, nenhum registro de multa aplicada para esta infração e as justificativas não convencem. Também são raras, se não inexistentes, as multas aplicadas para quem ameaça ou desrespeita pedestres ou para quem não usa a seta ao fazer conversões.
Quando as infrações que visam proteger as pessoas começarem a fazer parte do cardápio dos agentes de trânsito, teremos ruas mais seguras para todos. Enquanto a prioridade for manter o "bom" andamento do fluxo motorizado, seguiremos acreditando que a solução é isolar a vítima, e não reduzir a ameaça.
Foi inaugurado pelo governo do Estado o primeiro bicicletário em uma estação do Metrô, a simbólica Guilhermina-Esperança, na zona Leste da capital.
Parabéns aos responsáveis pela iniciativa, que conseguiram superar o discurso que limita o planejamento cicloviário à construção de ciclovias. Permitir o estacionamento de bicicletas e integrar os ciclistas ao transporte coletivo é extremamente pertinente em uma cidade do tamanho de São Paulo.
Ainda que a construção de ciclovias seja muito importante, especialmente em vias de fluxo intenso, um planejamento cicloviário decente vai muito além.
Favorecer o transporte por bicicletas não é apenas segregar o ciclista em seu deslocamento, até porque é impossível criar vias exclusivas na cidade inteira. As ciclovias devem estar conectadas com rotas cicloviárias e ciclofaixas, não deixando de lado a existência de locais para estacionamento e a integração com o transporte coletivo.
Favorecer o transporte por bicicletas também passa pela educação, inserindo o respeito a pedestres e ciclistas nos cursos de formação de condutores, desenvolvendo campanhas educativas permanentes e também punindo os infratores.
O Código de Trânsito diz que a bicicleta é um veículo como outro qualquer, com circulação preferencial nas vias sobre os demais veículos. Os motoristas devem reduzir a velocidade e manter distância lateral de 1,5m ao ultrapassar ciclistas.
Não existe, no entanto, nenhum registro de multa aplicada para esta infração e as justificativas não convencem. Também são raras, se não inexistentes, as multas aplicadas para quem ameaça ou desrespeita pedestres ou para quem não usa a seta ao fazer conversões.
Quando as infrações que visam proteger as pessoas começarem a fazer parte do cardápio dos agentes de trânsito, teremos ruas mais seguras para todos. Enquanto a prioridade for manter o "bom" andamento do fluxo motorizado, seguiremos acreditando que a solução é isolar a vítima, e não reduzir a ameaça.
Na manhã de sábado, cerca de 20 ciclistas partiram do bairro do Paraíso, com a esperança de que as iniciativas de promoção do uso da bicicleta e redução do uso do transporte motorizado individual sejam cada vez mais freqüentes.
O caminho escolhido foi um tanto insólito: a Radial Leste, principal eixo viário da região, é uma avenida de fluxo intenso, com ônibus, motos, caminhões e automóveis disputando espaço, fazendo barulho e soltando fumaça. Escolha mais adequada seria um caminho alternativo, como este, postado no Bikely.
Para enfrentar os motorizados, alguns Guardas Municipais em motocicletas fizeram a escolta dos ciclistas.
Para enfrentar os motorizados, alguns Guardas Municipais em motocicletas fizeram a escolta dos ciclistas.
Viaduto no centro, em direção à zona Leste. Passar por aí de bicicleta, só com escolta e no final de semana. Repare na sujeira deixada no canto da pista: o fluxo de motorizados empurra todos os detritos para a sarjeta, local utilizado geralmente pelos ciclistas que se deslocam pela cidade.
Não levou muito tempo até o primeiro problema. Um parafuso na pista deixou um pneu furado. Graças à solidariedade de alguns dos participantes, a troca foi rápida e pudemos continuar.
Os retardatários, sem escolta motorizada, enfrentaram o trânsito da Radial por mais de 15 minutos até encontrar o resto da turma.
Alguns quilômetros depois, o segundo problema. Um motorista apressado não respeitou o ciclista que pedia para os motorizados esperarem o grupo passar e acelerou sua arma de quatro rodas para cima da bicicleta.
Acima, vereadora Soninha (com o governador José Serra ao fundo). Abaixo, secretário Eduardo Jorge. Dois grandes promotores da mobilidade sustentável em São Paulo.
Teresa D'Aprile, fundadora do grupo de pedalada feminino Saia na Noite, recebeu o cartão número 1 do bicicletário.
Na volta, pedalamos pelas horríveis calçadas da Radial Leste até um caminho por ruas mais tranqüilas. Veja um vídeo do Edu Green deste trecho do percurso.
As calçadas encontram-se em péssimo estado de conservação, com buracos, cacos de vidro e sujeira de todos os tipos. As faixas de pedestre estão distantes umas das outras (uma delas fica a mais de 1,5km do ponto de ônibus). Os tempos dos semáforos seguem a lógica paulistana: não atrapalhar o trânsito; ficam abertos durante alguns segundos para os pedestres e uma infinidade de tempo para os motorizados.
As calçadas encontram-se em péssimo estado de conservação, com buracos, cacos de vidro e sujeira de todos os tipos. As faixas de pedestre estão distantes umas das outras (uma delas fica a mais de 1,5km do ponto de ônibus). Os tempos dos semáforos seguem a lógica paulistana: não atrapalhar o trânsito; ficam abertos durante alguns segundos para os pedestres e uma infinidade de tempo para os motorizados.
De volta às ruas tranqüilas. E o desrespeito ao cidadão, como sempre, visível em qualquer rua, em qualquer horário. Carros estacionados em frente ao ponto de ônibus atrapalham a visão e o embarque dos pedestres nos coletivos.
No Tatuapé, um paraciclo em uma academia de ginástica. A iniciativa privada começa a descobrir que o estacionamento de bicicletas é uma iniciativa viável e cidadã, que promove o transporte sustentável e economiza espaço.
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No próximo sábado (21) a cidade de São Paulo dá mais um passo para estimular o transporte inteligente, que não polui o ar e não congestiona as ruas. A partir das 12h será inaugurado o primeiro bicicletário em uma estação do Metrô, a Guilhermina-Esperança, na Zona Leste.
Alguns grupos de cicilistas irão prestigiar a boa iniciativa, com pedaladas marcadas para as 10h da manhã saindo de diversos pontos da cidade.
Confira os pontos de partida e os roteiros desta pedalada em direção a Esperança no CicloBR e veja também o esquema de funcionamento do novo bicicletário.
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Eles poluem o ar da sua cidade e te dizem para fugir de onde você mora.
Eles criam o trânsito que imobiliza a cidade e obrigam você a usar motoboys para entregar de tudo.
Eles transformam as ruas em locais inóspitos, barulhentos e degradados e vendem o isolamento da bolha motorizada para que você não perceba o quanto a cidade é inóspita, barulhenta e degradada.
Eles colam selinhos do IBAMA nas propagandas, chamam suas máquinas poluidoras de "Eco" e adoram associar a natureza que tanto destroem aos seus produtos.
Pinóquio era um rapaz muito sincero...
Eles criam o trânsito que imobiliza a cidade e obrigam você a usar motoboys para entregar de tudo.
Eles transformam as ruas em locais inóspitos, barulhentos e degradados e vendem o isolamento da bolha motorizada para que você não perceba o quanto a cidade é inóspita, barulhenta e degradada.
Eles colam selinhos do IBAMA nas propagandas, chamam suas máquinas poluidoras de "Eco" e adoram associar a natureza que tanto destroem aos seus produtos.
Pinóquio era um rapaz muito sincero...
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Noite de 10 de abril, sexta-feira de feriado em 1998, exatos 7 dias antes do meu aniversário. Por alguns centímetros, uma fração de segundos ou qualquer outra unidade mínima de tempo ou espaço, aquela Páscoa não foi a última da minha vida.
Estacionava o carro em uma rua de Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. Acabava de resgatar uma amiga motorista que teve a saia enroscada no pedal do freio, perdeu o controle do veículo e bateu contra uma árvore. O acidente foi leve, mas o carro dela não andava e teve que ser rebocado por um guincho. Fui com um amigo buscá-la e depois retornaríamos para continuar a confraternização de uma turma que se conheceu no colégio.
Depois do resgate, de volta a Higienópolis, descíamos do Fiat Palio quando dois homens subiram a rua e anunciaram o assalto. Um deles me abordou, sacou uma arma e começou a gritar “passa tudo, passa tudo”. O outro deu a volta no carro, e abordou minha amiga, que desembarcava pelo lado do passageiro. O terceiro amigo ainda estava no banco de trás. Ela conta que o assaltante mandou os dois voltarem para dentro do carro, na tentativa de um seqüestro relâmpago.
O ladrão que me abordava gesticulava de arma em punho, mas olhava para o outro lado do carro, talvez para dar “cobertura” ao companheiro desarmado.
Não reagi. Dizia “calma, calma”, mas ele gesticulava com a arma e só dizia “passa tudo, passa tudo”. Deixei a carteira e a chave no banco do carro e fui me afastando. PÁ! Barulho seco. Nunca tinha ouvido, mas era um tiro e tinha sido disparado a um metro de distância de mim. Não senti nada, mas a adrenalina a mil e o instinto de preservação me colocaram em posição fetal.
De cócoras ao lado do carro, com as mão sobre os ouvidos, a vida passou inteira na minha cabeça. Passa sim, é verdade. Passado, presente e futuro, tudo junto, fluido, rápido e eterno. Um segundo, um minuto ou uma hora depois, não sei, começava a voltar à Terra. Levantei, senti braços, pernas e coração batendo e pensei “estou vivo, não morri”.
Os dois ladrões, logo depois do disparo, saíram correndo. Não levaram nada. Me abaixei para pegar a carteira e a chave do carro que havia deixado sobre o banco, quando senti algo escorrendo no pescoço. Os dedos roçaram o buraco na pele. Não era fundo, mas era um buraco. Não sentia nada. Instinto: “Tomei um tiro, vamos para o hospital”. Minha amiga, também em estado de choque, saiu correndo e foi buscar ajuda no apartamento onde iríamos encontrar os outros. O amigo que estava no banco de trás, lá ficou, imóvel, estático. Instinto.
Outra amiga desceu, tomou as chaves da minha mão e me colocou no banco do passageiro. Seguimos para o Hospital das Clínicas. Eu segurava uma blusa para estancar o sangue. Não sabia ainda qual a gravidade do ferimento, mas imaginei que nenhuma função vital tinha sido afetada. Apesar da adrenalina, que segura muita gente de pé em situações críticas, já havia passado um bom tempo e eu continuava vivo e minimamente lúcido.
Hospital, maca, roupas rasgadas e imobilização para não movimentar o pescoço, médicos e enfermeiras circulando ao redor. A adrenalina já tinha baixado, veio a dor: um médico limpava o ferimento com iodo. Sentia o algodão dentro do meu corpo, aquelas luzes de hospital, aquele cheiro de éter... Radiografia, vacina anti-tetânica e depois virei atração turística na maca. Plantão médico em pronto socorro é assim mesmo: um monte de médicos e enfermeiros em residência, ávidos para conhecer e estudar os casos que chegam. Dessa vez eu era o rato branco do laboratório.
- Um FAF nessa região do corpo... meu caro, você tem sorte de estar vivo, 90% dos casos que entram aqui com FAF desse jeito saem ao menos paraplégicos.
- Sério?
- Sério... Você nasceu de novo, hein?
- Pois é, e semana que vem é meu aniversário.
- Nossa, então tem que comemorar duas vezes.
FAF era o Ferimento a Arma de Fogo do qual eu tinha sido vítima a pouco mais de um metro de distância. Foi de raspão, do lado direito do pescoço.
- Sorte sua que foi desse lado garoto: do lado esquerdo fica a jugular e tiro ali faz jorrar um monte de sangue.
Nenhum órgão vital atingido, nenhum osso, nenhum nervo. Apenas uma cicatriz e uma falha na barba depois de alguns anos.
Dirigi automóveis dos 18 aos 24 anos. Em diferentes graus de perigo, fui assaltado pelo menos 4 vezes. Somados aos furtos de toca-fitas e pequenas colisões, a estatística deve chegar a 10 “incidentes”. Todos resultaram em perdas econômicas e alguns trouxeram risco de vida. Sobrevivi.
Vendi o carro há 4 anos. Com o dinheiro, viajei para o exterior e meses depois comprei uma bicicleta. Não fui assaltado nenhuma vez desde então. Continuo a circular pela cidade nos mais diversos horários do dia e da noite, a pé, de ônibus, metrô ou bicicleta.
A maior parte dos paulistanos tem a ilusão de estar mais seguro dentro de um carro do que andando a pé. Acham que as ruas são perigosas e vivem com medo, de vidros fechados e, se possível, blindados. Ironicamente, boa parte deles já foi assaltado, sequestrado ou sofreu outro tipo de violência por causa do veículo.
É claro que os assaltos em ônibus ou calçadas também acontecem, como acontecem também em mansões e condomínios super-protegidos com esquemas paranóicos de segurança ou em casinhas de classe média baixa. Mas em um país cuja distribuição de renda só é pior do que em Serra Leoa, é óbvio que os milhares de Reais sobre quatro rodas chamam atenção, ou melhor, atraem criminosos.
A solução para a violência urbana passa pela distribuição da riqueza, pelo investimento em educação, moradia e saúde, pela redução na corrupção e também pelo investimento em segurança pública. Resgatar as ruas e transformá-las em ambientes seguros e agradáveis não é algo que possa ser feito de dentro de um carro blindado. Soluções privadas vendidas como panacéia contra a criminalidade não são capazes de solucionar problemas públicos, que exigem, é claro, soluções coletivas.
Como diz o sábio Rogério Belda no vídeo Sociedade do Automóvel, “ao segregar os habitantes em locais onde se acessa por automóvel e a rua passa a ser inóspita pelo tráfego e pela poluição, nós estamos abandonando a cidade e deixando que ela seja ocupada exatamente por aqueles que não são cidadãos”.
Estacionava o carro em uma rua de Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. Acabava de resgatar uma amiga motorista que teve a saia enroscada no pedal do freio, perdeu o controle do veículo e bateu contra uma árvore. O acidente foi leve, mas o carro dela não andava e teve que ser rebocado por um guincho. Fui com um amigo buscá-la e depois retornaríamos para continuar a confraternização de uma turma que se conheceu no colégio.
Depois do resgate, de volta a Higienópolis, descíamos do Fiat Palio quando dois homens subiram a rua e anunciaram o assalto. Um deles me abordou, sacou uma arma e começou a gritar “passa tudo, passa tudo”. O outro deu a volta no carro, e abordou minha amiga, que desembarcava pelo lado do passageiro. O terceiro amigo ainda estava no banco de trás. Ela conta que o assaltante mandou os dois voltarem para dentro do carro, na tentativa de um seqüestro relâmpago.
O ladrão que me abordava gesticulava de arma em punho, mas olhava para o outro lado do carro, talvez para dar “cobertura” ao companheiro desarmado.
Não reagi. Dizia “calma, calma”, mas ele gesticulava com a arma e só dizia “passa tudo, passa tudo”. Deixei a carteira e a chave no banco do carro e fui me afastando. PÁ! Barulho seco. Nunca tinha ouvido, mas era um tiro e tinha sido disparado a um metro de distância de mim. Não senti nada, mas a adrenalina a mil e o instinto de preservação me colocaram em posição fetal.
De cócoras ao lado do carro, com as mão sobre os ouvidos, a vida passou inteira na minha cabeça. Passa sim, é verdade. Passado, presente e futuro, tudo junto, fluido, rápido e eterno. Um segundo, um minuto ou uma hora depois, não sei, começava a voltar à Terra. Levantei, senti braços, pernas e coração batendo e pensei “estou vivo, não morri”.
Os dois ladrões, logo depois do disparo, saíram correndo. Não levaram nada. Me abaixei para pegar a carteira e a chave do carro que havia deixado sobre o banco, quando senti algo escorrendo no pescoço. Os dedos roçaram o buraco na pele. Não era fundo, mas era um buraco. Não sentia nada. Instinto: “Tomei um tiro, vamos para o hospital”. Minha amiga, também em estado de choque, saiu correndo e foi buscar ajuda no apartamento onde iríamos encontrar os outros. O amigo que estava no banco de trás, lá ficou, imóvel, estático. Instinto.
Outra amiga desceu, tomou as chaves da minha mão e me colocou no banco do passageiro. Seguimos para o Hospital das Clínicas. Eu segurava uma blusa para estancar o sangue. Não sabia ainda qual a gravidade do ferimento, mas imaginei que nenhuma função vital tinha sido afetada. Apesar da adrenalina, que segura muita gente de pé em situações críticas, já havia passado um bom tempo e eu continuava vivo e minimamente lúcido.
Hospital, maca, roupas rasgadas e imobilização para não movimentar o pescoço, médicos e enfermeiras circulando ao redor. A adrenalina já tinha baixado, veio a dor: um médico limpava o ferimento com iodo. Sentia o algodão dentro do meu corpo, aquelas luzes de hospital, aquele cheiro de éter... Radiografia, vacina anti-tetânica e depois virei atração turística na maca. Plantão médico em pronto socorro é assim mesmo: um monte de médicos e enfermeiros em residência, ávidos para conhecer e estudar os casos que chegam. Dessa vez eu era o rato branco do laboratório.
- Um FAF nessa região do corpo... meu caro, você tem sorte de estar vivo, 90% dos casos que entram aqui com FAF desse jeito saem ao menos paraplégicos.
- Sério?
- Sério... Você nasceu de novo, hein?
- Pois é, e semana que vem é meu aniversário.
- Nossa, então tem que comemorar duas vezes.
FAF era o Ferimento a Arma de Fogo do qual eu tinha sido vítima a pouco mais de um metro de distância. Foi de raspão, do lado direito do pescoço.
- Sorte sua que foi desse lado garoto: do lado esquerdo fica a jugular e tiro ali faz jorrar um monte de sangue.
Nenhum órgão vital atingido, nenhum osso, nenhum nervo. Apenas uma cicatriz e uma falha na barba depois de alguns anos.
Dirigi automóveis dos 18 aos 24 anos. Em diferentes graus de perigo, fui assaltado pelo menos 4 vezes. Somados aos furtos de toca-fitas e pequenas colisões, a estatística deve chegar a 10 “incidentes”. Todos resultaram em perdas econômicas e alguns trouxeram risco de vida. Sobrevivi.
Vendi o carro há 4 anos. Com o dinheiro, viajei para o exterior e meses depois comprei uma bicicleta. Não fui assaltado nenhuma vez desde então. Continuo a circular pela cidade nos mais diversos horários do dia e da noite, a pé, de ônibus, metrô ou bicicleta.
A maior parte dos paulistanos tem a ilusão de estar mais seguro dentro de um carro do que andando a pé. Acham que as ruas são perigosas e vivem com medo, de vidros fechados e, se possível, blindados. Ironicamente, boa parte deles já foi assaltado, sequestrado ou sofreu outro tipo de violência por causa do veículo.
É claro que os assaltos em ônibus ou calçadas também acontecem, como acontecem também em mansões e condomínios super-protegidos com esquemas paranóicos de segurança ou em casinhas de classe média baixa. Mas em um país cuja distribuição de renda só é pior do que em Serra Leoa, é óbvio que os milhares de Reais sobre quatro rodas chamam atenção, ou melhor, atraem criminosos.
A solução para a violência urbana passa pela distribuição da riqueza, pelo investimento em educação, moradia e saúde, pela redução na corrupção e também pelo investimento em segurança pública. Resgatar as ruas e transformá-las em ambientes seguros e agradáveis não é algo que possa ser feito de dentro de um carro blindado. Soluções privadas vendidas como panacéia contra a criminalidade não são capazes de solucionar problemas públicos, que exigem, é claro, soluções coletivas.
Como diz o sábio Rogério Belda no vídeo Sociedade do Automóvel, “ao segregar os habitantes em locais onde se acessa por automóvel e a rua passa a ser inóspita pelo tráfego e pela poluição, nós estamos abandonando a cidade e deixando que ela seja ocupada exatamente por aqueles que não são cidadãos”.
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Se existisse um concurso para premiar as iniciativas mais cretinas do comércio, a revendedora de motos acima estaria disputando as primeiras colocações.
Não custa lembrar que uma moto polui mais do que um ônibus e que os motorizados de duas rodas não passam de subprodutos dos automóveis, não tendo nada a ver com bicicletas ou pedestres.
Não custa lembrar que uma moto polui mais do que um ônibus e que os motorizados de duas rodas não passam de subprodutos dos automóveis, não tendo nada a ver com bicicletas ou pedestres.
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"A calçada da avenida Doutor Arnaldo começou a ser recuperada ontem (06/03). O objetivo da Prefeitura de São Paulo é torná-la mais acessível e confortável para o pedestre da região. (...) Durante o trabalho, metade da calçada ficará sempre livre para a circulação de pedestres. Também não será necessário, segundo a prefeitura, interferir no trânsito da via". Folha de S.Paulo, 07/03/2007
A culpa é dos postes, que estavam na metade errada da calçada....
A culpa é dos postes, que estavam na metade errada da calçada....
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texto: Fabio Veronesi
publicado originalmente no blog da Transporte Ativo
"A pessoa que passa andando na rua de bicicleta é alguém que está fazendo bem ao mundo e a si mesma. Com esforço próprio combate a poluição e o aquecimento global na prática, sem discursos panfletários, sem levantar bandeiras, sem querer impor nada a ninguém, ela está contribuindo para melhorar o ar que todos respiram hoje e o clima do planeta para as futuras gerações.
(...)
Mas, atenção motoristas! isso não é uma declaração de guerra. Pelo contrário: é de paz! Porque a idéia é que todo mundo possa deixar seu carro em casa quando sentir vontade e possa andar de bicicleta sem colocar sua vida em risco. Também acredito, como ciclista, que nenhum motorista quer nos atropelar. Então o que há de errado? Por que isso, infelizmente, acontece diariamente? A resposta exige que paremos para pensar um pouco. A quem interessa uma política e uma cultura que prioriza as vias de transporte para veículos automotores? Qual será a influência da indústria automobilística nas decisões dos governos e conseqüente direcionamento de recursos para infraestrutura que atende a nossa necessidade de transporte? E no inconsciente coletivo das pessoas? Já parou para pensar que, desde que você começou a assistir televisão na sua vida, você vê quase todos os dias uma propaganda de carro? Que a idéia de que "quanto mais for feito pelo automóvel, melhor" é um consenso forçado pela mídia e pelas instituições financeiras, alegando que a economia do país irá parar se a indústria automobilística diminuir sua sempre crescente demanda de consumo?
(...)
A bicicleta não atrapalha o automóvel na ocupação de espaço nas ruas e avenidas. Pelo contrário.
Lembrando que de uma forma ou de outra todos tem que se transportar, conclui-se que cada motorista que deixa seu carro em casa e sai de bicicleta abre espaço nas ruas, tanto quanto é a diferença entre o espaço que ocupa um automóvel e uma bicicleta. Se centenas, milhares de pessoas fizerem essa opção, o espaço aberto será enorme, muito maior do que aquele que se consegue gastando fortunas do dinheiro público com ampliações de avenidas e construção de elevados.
(...)
A bicicleta é uma revolução social, econômica, política e ideológica possível aqui e agora! Quando vejo nas grandes avenidas das grandes metrópoles, centenas de automóveis indo na mesma direção, a grande maioria com apenas um ser humano dentro, com sua atenção tomada pela responsabilidade de dirigir, caminhando lado a lado com outros seres humanos hermeticamente isolados uns dos outros dentro de suas "caixinhas" móveis sem se comunicar, penso no quanto isso poderia ser diferente.
(...)
Cerca de 85% da energia consumida por um automóvel é gasta para transportar a ele mesmo.
(...)
Na bicicleta dependemos de energia própria, não há, portanto, concorrência entre as pessoas que buscam transportar-se, pelo contrário, ao nos unirmos com outros seres humanos ganhamos incentivo para ir mais longe. O automóvel depende de energia externa, limitada e não-renovável, o que gera concorrência entre os que dela dependem. O automóvel é um dos melhores símbolos físicos da ideologia capitalista. Os slogans de suas propagandas trabalham sempre com termos como mais potente, mais veloz, maior em sua categoria, mais econômico, mais bonito, mais robusto, mais confortável, etc., etc., etc.
A modernidade diminuiu o tempo de comunicação e de transporte. Criou-se uma falsa ilusão de que esse movimento tem que ser sempre crescente para ser melhor. Estamos nos entupindo com veículos velozes que não tem espaço para andar. Chegamos a um ponto em que um veículo menor em tamanho e velocidade, como a bicicleta, tem melhores condições de se locomover e gasta menos tempo.
Poucos sabem ou se lembram que o código brasileiro de trânsito, assim como a maioria das legislações sobre o trânsito no mundo todo, determina que o automóvel dê preferência à bicicleta nas ruas e avenidas. Ou que a distância mínima, prevista pela lei, para ultrapassar uma bicicleta é de 1,5 metros e caso não haja condições de ultrapassagem respeitando essa distância mínima, o automóvel deve aguardar, pois a bicicleta não pára o trânsito, ela é o próprio trânsito naquele momento.
Agora, que não se iludam os que querem começar a utilizar a bicicleta para transportar-se: vão entrar numa guerra! Uma guerra que já está sendo travada nas ruas e que deixa centenas de mortos e feridos todos os dias. Não uma guerra contra os motoristas e os automóveis (repito), mas uma guerra contra uma ideologia. Andar de bicicleta é lutar contra um sistema que associa respeito a posse e exibição. Lutar através de atitude própria, pela ação direta, cotidiana, pelo ato de pedalar em si, pela força da humildade num mundo de ostentação.
Como em toda guerra, a sobrevivência depende das estratégias que elaboramos. O ciclista deve se equipar com tudo que possa diminuir a possibilidade de acidentes e que esteja ao seu alcance providenciar: espelho retrovisor, reflexivos e iluminação pisca-pisca para noite, capacete, buzina, etc. Não adianta bater de frente com os automóveis, mas deve-se ocupar o espaço que é do ciclista, porque ele existe e é um direito seu ocupá-lo. O ciclista também paga os impostos que construíram e que fazem a manutenção da malha asfáltica.
(...)
A luta do ciclista é contra a ideologia que dá prioridade máxima ao automóvel - a locomotiva histórica do sistema capitalista. Mas, apesar de estarmos lutando contra um sistema econômicosocial, são as pessoas, influenciadas pela educação e adaptação ao modo de pensar desse sistema que tomam as atitudes cotidianas que enfrentamos no trânsito. De certa forma, não existe esse tal "sistema". Ou seja, ele existe através das atitudes das pessoas. A ideologia do sistema, o conjunto de idéias compartilhadas, é imposto pela educação e depois é mantido como verdade aceita através de muita propaganda. Mas... como tratam-se de atitudes pessoais, de individualidades representando o sistema, de seres humanos repetindo padrões de conduta, esse sistema pode ser modificado também por atitudes, pelo exemplo contrário ao estabelecido.
Os ciclistas que enfrentam hoje o trânsito das cidades são pioneiros abrindo o espaço para o futuro. Foi-se o tempo em que a rebeldia revolucionária era representada pela moto. Ciclismo é sinônimo de saúde e juventude, indiferentemente da idade. A melhor estratégia para essa luta é conseguir mostrar o quanto é bom andar de bicicleta. Criar uma irmandade entre todas as pessoas que andam de bicicleta. Ciclistas devem se cumprimentar quando se cruzam nas ruas, deixar extravazar o prazer que estão sentindo invadidos por endorfinas criadas pelo esforço físico e pelo andar numa velocidade em que se pode admirar a paisagem e as pessoas.
A revolução ciclista é lúdica! A bicicleta é um brinquedo de criança que se transforma em prazer e opção de transporte para o adulto.
(...)
Não são somente ciclovias que queremos porque não podemos e não precisamos esperar a boa vontade de governos que estão submissos à força econômica da indústria automobilística para iniciarmos nossa revolução cotidiana. Não precisamos!
Cerca de 20% da população tem a possibilidade de comprar e manter automóveis, mas 100% da população é afetada pelo direcionamento da arquitetura urbana para priorização do trânsito de automóveis e todos pagam os impostos que constroem as vias por onde eles transitam. A bicicleta é uma forma de democratizar a malha asfáltica, diminuir essa diferença.
(...)
Transcendendo o conceito, o termo "Massa Crítica" ou "Critical Mass" dá, hoje, nome ao movimento mundial que busca unir a força de todos os ciclistas na formação de uma grande massa crítica (acrescendo ao significado: pessoas com opinião crítica sobre a situação gerada pelo consumo alucinante de petróleo) que está invadindo naturalmente as ruas do mundo inteiro. O movimento de formação da Massa Crítica é, até que enfim, a esperança de um mundo melhor construído com ações diretas.
O resgate do orgulho pessoal de estar fazendo algo concreto contra o sistema capitalista, mas sem gerar violência. Enfim, uma possibilidade real de revolução social se concretizando a cada revolução da roda de uma bicicleta. A opção possível de transformar a revolta contra o aquecimento global e a devastação consumista do nosso planeta em atitude, saúde e prazer.
A bicicleta é, sem dúvida, o veículo do séc. XXI. Nós só estamos no começo dessa história."
(...)
Mas, atenção motoristas! isso não é uma declaração de guerra. Pelo contrário: é de paz! Porque a idéia é que todo mundo possa deixar seu carro em casa quando sentir vontade e possa andar de bicicleta sem colocar sua vida em risco. Também acredito, como ciclista, que nenhum motorista quer nos atropelar. Então o que há de errado? Por que isso, infelizmente, acontece diariamente? A resposta exige que paremos para pensar um pouco. A quem interessa uma política e uma cultura que prioriza as vias de transporte para veículos automotores? Qual será a influência da indústria automobilística nas decisões dos governos e conseqüente direcionamento de recursos para infraestrutura que atende a nossa necessidade de transporte? E no inconsciente coletivo das pessoas? Já parou para pensar que, desde que você começou a assistir televisão na sua vida, você vê quase todos os dias uma propaganda de carro? Que a idéia de que "quanto mais for feito pelo automóvel, melhor" é um consenso forçado pela mídia e pelas instituições financeiras, alegando que a economia do país irá parar se a indústria automobilística diminuir sua sempre crescente demanda de consumo?
(...)
A bicicleta não atrapalha o automóvel na ocupação de espaço nas ruas e avenidas. Pelo contrário.
Lembrando que de uma forma ou de outra todos tem que se transportar, conclui-se que cada motorista que deixa seu carro em casa e sai de bicicleta abre espaço nas ruas, tanto quanto é a diferença entre o espaço que ocupa um automóvel e uma bicicleta. Se centenas, milhares de pessoas fizerem essa opção, o espaço aberto será enorme, muito maior do que aquele que se consegue gastando fortunas do dinheiro público com ampliações de avenidas e construção de elevados.
(...)
A bicicleta é uma revolução social, econômica, política e ideológica possível aqui e agora! Quando vejo nas grandes avenidas das grandes metrópoles, centenas de automóveis indo na mesma direção, a grande maioria com apenas um ser humano dentro, com sua atenção tomada pela responsabilidade de dirigir, caminhando lado a lado com outros seres humanos hermeticamente isolados uns dos outros dentro de suas "caixinhas" móveis sem se comunicar, penso no quanto isso poderia ser diferente.
(...)
Cerca de 85% da energia consumida por um automóvel é gasta para transportar a ele mesmo.
(...)
Na bicicleta dependemos de energia própria, não há, portanto, concorrência entre as pessoas que buscam transportar-se, pelo contrário, ao nos unirmos com outros seres humanos ganhamos incentivo para ir mais longe. O automóvel depende de energia externa, limitada e não-renovável, o que gera concorrência entre os que dela dependem. O automóvel é um dos melhores símbolos físicos da ideologia capitalista. Os slogans de suas propagandas trabalham sempre com termos como mais potente, mais veloz, maior em sua categoria, mais econômico, mais bonito, mais robusto, mais confortável, etc., etc., etc.
A modernidade diminuiu o tempo de comunicação e de transporte. Criou-se uma falsa ilusão de que esse movimento tem que ser sempre crescente para ser melhor. Estamos nos entupindo com veículos velozes que não tem espaço para andar. Chegamos a um ponto em que um veículo menor em tamanho e velocidade, como a bicicleta, tem melhores condições de se locomover e gasta menos tempo.
Poucos sabem ou se lembram que o código brasileiro de trânsito, assim como a maioria das legislações sobre o trânsito no mundo todo, determina que o automóvel dê preferência à bicicleta nas ruas e avenidas. Ou que a distância mínima, prevista pela lei, para ultrapassar uma bicicleta é de 1,5 metros e caso não haja condições de ultrapassagem respeitando essa distância mínima, o automóvel deve aguardar, pois a bicicleta não pára o trânsito, ela é o próprio trânsito naquele momento.
Agora, que não se iludam os que querem começar a utilizar a bicicleta para transportar-se: vão entrar numa guerra! Uma guerra que já está sendo travada nas ruas e que deixa centenas de mortos e feridos todos os dias. Não uma guerra contra os motoristas e os automóveis (repito), mas uma guerra contra uma ideologia. Andar de bicicleta é lutar contra um sistema que associa respeito a posse e exibição. Lutar através de atitude própria, pela ação direta, cotidiana, pelo ato de pedalar em si, pela força da humildade num mundo de ostentação.
Como em toda guerra, a sobrevivência depende das estratégias que elaboramos. O ciclista deve se equipar com tudo que possa diminuir a possibilidade de acidentes e que esteja ao seu alcance providenciar: espelho retrovisor, reflexivos e iluminação pisca-pisca para noite, capacete, buzina, etc. Não adianta bater de frente com os automóveis, mas deve-se ocupar o espaço que é do ciclista, porque ele existe e é um direito seu ocupá-lo. O ciclista também paga os impostos que construíram e que fazem a manutenção da malha asfáltica.
(...)
A luta do ciclista é contra a ideologia que dá prioridade máxima ao automóvel - a locomotiva histórica do sistema capitalista. Mas, apesar de estarmos lutando contra um sistema econômicosocial, são as pessoas, influenciadas pela educação e adaptação ao modo de pensar desse sistema que tomam as atitudes cotidianas que enfrentamos no trânsito. De certa forma, não existe esse tal "sistema". Ou seja, ele existe através das atitudes das pessoas. A ideologia do sistema, o conjunto de idéias compartilhadas, é imposto pela educação e depois é mantido como verdade aceita através de muita propaganda. Mas... como tratam-se de atitudes pessoais, de individualidades representando o sistema, de seres humanos repetindo padrões de conduta, esse sistema pode ser modificado também por atitudes, pelo exemplo contrário ao estabelecido.
Os ciclistas que enfrentam hoje o trânsito das cidades são pioneiros abrindo o espaço para o futuro. Foi-se o tempo em que a rebeldia revolucionária era representada pela moto. Ciclismo é sinônimo de saúde e juventude, indiferentemente da idade. A melhor estratégia para essa luta é conseguir mostrar o quanto é bom andar de bicicleta. Criar uma irmandade entre todas as pessoas que andam de bicicleta. Ciclistas devem se cumprimentar quando se cruzam nas ruas, deixar extravazar o prazer que estão sentindo invadidos por endorfinas criadas pelo esforço físico e pelo andar numa velocidade em que se pode admirar a paisagem e as pessoas.
A revolução ciclista é lúdica! A bicicleta é um brinquedo de criança que se transforma em prazer e opção de transporte para o adulto.
(...)
Não são somente ciclovias que queremos porque não podemos e não precisamos esperar a boa vontade de governos que estão submissos à força econômica da indústria automobilística para iniciarmos nossa revolução cotidiana. Não precisamos!
Cerca de 20% da população tem a possibilidade de comprar e manter automóveis, mas 100% da população é afetada pelo direcionamento da arquitetura urbana para priorização do trânsito de automóveis e todos pagam os impostos que constroem as vias por onde eles transitam. A bicicleta é uma forma de democratizar a malha asfáltica, diminuir essa diferença.
(...)
Transcendendo o conceito, o termo "Massa Crítica" ou "Critical Mass" dá, hoje, nome ao movimento mundial que busca unir a força de todos os ciclistas na formação de uma grande massa crítica (acrescendo ao significado: pessoas com opinião crítica sobre a situação gerada pelo consumo alucinante de petróleo) que está invadindo naturalmente as ruas do mundo inteiro. O movimento de formação da Massa Crítica é, até que enfim, a esperança de um mundo melhor construído com ações diretas.
O resgate do orgulho pessoal de estar fazendo algo concreto contra o sistema capitalista, mas sem gerar violência. Enfim, uma possibilidade real de revolução social se concretizando a cada revolução da roda de uma bicicleta. A opção possível de transformar a revolta contra o aquecimento global e a devastação consumista do nosso planeta em atitude, saúde e prazer.
A bicicleta é, sem dúvida, o veículo do séc. XXI. Nós só estamos no começo dessa história."
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intervenção realizada durante oficina promovida pelo coletivo Política do Impossível
A Praça Roosevelt possui um grande estacionamento em seu subsolo. Na tarde desta quarta-feira, participantes de uma oficina promovida pelo coletivo Política do Impossível decidiram questionar o uso privado de um espaço público, instalando lambes na entrada do estacionamento e na porta de um supermercado, que também ocupa uma grande área da praça.
Segundo funcionários do estabelecimento, o uso do espaço público para fins privados funciona em regime de concessão: a prefeitura fica com 70% do valor arrecadado e os donos do estacionamento ficam com 30%.
30% também é a quantidade de paulistanos que possuem automóvel, ou seja, a minoria. A utilização de espaço público para o estacionamento de propriedades privadas seria aceitável se trouxesse algum benefício ao entorno, mas essa não é a realidade. Além da imensa garagem, todas as ruas ao redor da Praça Roosevelt (exceto a avenida da Consolação) também têm estacionamento permitido.
A construção de garagens subterrâneas em diversos pontos da capital vem sendo discutida pela administração municipal. Os alvos divulgados são o centro, a Praça Charles Miller e o Parque do Ibirapuera.
Se os milhares de reais gastos para acomodar as propriedades privadas da minoria forem acompanhados pela restrição de estacionamento em espaço público, uma salva de palmas. Se as novas garagens servirem apenas para aumentar a oferta de estacionamento (como na Praça Roosevelt), teremos a repetição da triste política de valorização do transporte individual motorizado, que resulta em calçadas estreitas, falta de áreas de convivência, estímulo ao individualismo e degradação ambiental.
Segundo funcionários do estabelecimento, o uso do espaço público para fins privados funciona em regime de concessão: a prefeitura fica com 70% do valor arrecadado e os donos do estacionamento ficam com 30%.
30% também é a quantidade de paulistanos que possuem automóvel, ou seja, a minoria. A utilização de espaço público para o estacionamento de propriedades privadas seria aceitável se trouxesse algum benefício ao entorno, mas essa não é a realidade. Além da imensa garagem, todas as ruas ao redor da Praça Roosevelt (exceto a avenida da Consolação) também têm estacionamento permitido.
A construção de garagens subterrâneas em diversos pontos da capital vem sendo discutida pela administração municipal. Os alvos divulgados são o centro, a Praça Charles Miller e o Parque do Ibirapuera.
Se os milhares de reais gastos para acomodar as propriedades privadas da minoria forem acompanhados pela restrição de estacionamento em espaço público, uma salva de palmas. Se as novas garagens servirem apenas para aumentar a oferta de estacionamento (como na Praça Roosevelt), teremos a repetição da triste política de valorização do transporte individual motorizado, que resulta em calçadas estreitas, falta de áreas de convivência, estímulo ao individualismo e degradação ambiental.
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("En el tren", Marcos Alfonso García Campo)
Foto que ganhou o prêmio especial do juri no concurso do "Una ciudad mas humana", da associação ibérica ConBici.
Um estímulo para o metrô e a CPTM estudarem com carinho a liberação de bicicletas nos vagões também durante a semana.
Um estímulo para o governo estadual investir com seriedade nos trens metropolitanos, ainda muito parecidos com latas de sardinha a 15km/h.
Um estímulo para o governo federal ressucitar o transporte ferroviário de passageiros em vez de privatizar meia dúzia de linhas lucrativas para o transporte de carga.
Um estímulo para o metrô e a CPTM estudarem com carinho a liberação de bicicletas nos vagões também durante a semana.
Um estímulo para o governo estadual investir com seriedade nos trens metropolitanos, ainda muito parecidos com latas de sardinha a 15km/h.
Um estímulo para o governo federal ressucitar o transporte ferroviário de passageiros em vez de privatizar meia dúzia de linhas lucrativas para o transporte de carga.
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Para quem acredita que a mídia é o tribunal de pequenas causas da sociedade, o texto acima, publicado no Estado de S.Paulo desta segunda-feira (09), pode servir de aviso: é preciso construir outros canais de diálogo institucional além das seções de cartas dos periódicos.
Tá certo, a resposta do presidente da CET deve ter sido escrita por algum assessor de imprensa descuidado, que deu CTRL+C, CTRL+V em um texto padrão, como sempre faz, e mandou de volta para o jornalista. Culpa do excesso de trabalho: todas as quatro cartas publicadas na seção "São Paulo Reclama" abordavam o "trânsito".
Tá certo, a resposta do presidente da CET deve ter sido escrita por algum assessor de imprensa descuidado, que deu CTRL+C, CTRL+V em um texto padrão, como sempre faz, e mandou de volta para o jornalista. Culpa do excesso de trabalho: todas as quatro cartas publicadas na seção "São Paulo Reclama" abordavam o "trânsito".
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Não foi no Iraque e a arma não era de fogo. Os 79 mortos e 900 feridos estavam no Brasil, aproveitando a Páscoa. O feriado foi 23,8% mais violento do que no ano passado.
Segundo declarou o inspetor Coraci (Polícia Rodoviária Federal) à rádio CBN, a principal causa continua sendo a imprudência dos motoristas. Segundo ele, 60% dos "acidentes" acontecem durante o dia, em retas e com boas condições climáticas.
Além do motorista, responsável direto pelos homicídios e suicídios cometidos, vale lembrar que a indústria automobilística continua baseando suas propagandas e produtos em valores como poder, individualismo e velocidade.
Segundo declarou o inspetor Coraci (Polícia Rodoviária Federal) à rádio CBN, a principal causa continua sendo a imprudência dos motoristas. Segundo ele, 60% dos "acidentes" acontecem durante o dia, em retas e com boas condições climáticas.
Além do motorista, responsável direto pelos homicídios e suicídios cometidos, vale lembrar que a indústria automobilística continua baseando suas propagandas e produtos em valores como poder, individualismo e velocidade.
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Depois de atravessar o país, passar pela Argentina, Uruguai e Paraguai, os agricultores-ciclistas do projeto Ciclovida estão em São Paulo e nesta segunda-feira (09) contam um pouco da sua experiência de viagem de bicicleta e pesquisa de sementes crioulas no Espaço Impróprio.
O bate-papo acontece a partir das 19h e o Impróprio fica na rua Dona Antônia de Queirós, 40 (travessa da rua Agusta, metrô Consolação).
O bate-papo acontece a partir das 19h e o Impróprio fica na rua Dona Antônia de Queirós, 40 (travessa da rua Agusta, metrô Consolação).
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(foto: Felipe Fonseca)
Segundo esta reportagem da BBC, um estudo da Royal Commission on Environmental Pollution aponta o aumento do número de veículos no ambiente urbano como uma das razões para as enchentes.
A idéia é simples: mais carros em circulação provocam a impermeabilização do solo urbano, pois exigem do poder público a construção de avenidas, ruas e estacionamentos.
Os moradores das regiões próximas às marginais do Pinheiros e Tietê conhecem a história: sábios governantes automobilistas escolheram as margens dos rios para fazer passar boa parte do tráfego de veículos da capital. Desconsideraram a variação natural do volume de água nos rios, fenômeno conhecido até pelos antigos egípcios, e mandaram asfaltar tudo. Deu no que deu.
A idéia é simples: mais carros em circulação provocam a impermeabilização do solo urbano, pois exigem do poder público a construção de avenidas, ruas e estacionamentos.
Os moradores das regiões próximas às marginais do Pinheiros e Tietê conhecem a história: sábios governantes automobilistas escolheram as margens dos rios para fazer passar boa parte do tráfego de veículos da capital. Desconsideraram a variação natural do volume de água nos rios, fenômeno conhecido até pelos antigos egípcios, e mandaram asfaltar tudo. Deu no que deu.
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Peixe grande, peixe pequeno
Formal ou informal, legal ou ilegal, o lobby automobilístico demonstra a cada esquina suas armas para impedir a mudança no paradigma de (i)mobilidade em São Paulo.
Executivos e publicitários em escritórios high-tech ou manobristas em uma rua qualquer fazem parte do mesmo negócio. Privatizam o espaço público e transformam o direito de todos em privilégio de alguns. A diferença é que uns levam trocados, outros ganham milhões.
Executivos e publicitários em escritórios high-tech ou manobristas em uma rua qualquer fazem parte do mesmo negócio. Privatizam o espaço público e transformam o direito de todos em privilégio de alguns. A diferença é que uns levam trocados, outros ganham milhões.
"Manobrista no local"
No centro, os carros seguem roubando espaço dos pedestres nos calçadões. Acima, o tradicional paraciclo paulistano em contraste com o estacionamento ilegal de sedentários, folgados, paranóicos e afins.
Abaixo, rua 24 de maio, que morreu por inteiro com o fechamento do último trecho de calçadão que lhe restava. Fruto da "revitalização" orwelliana em curso na região.
Abaixo, rua 24 de maio, que morreu por inteiro com o fechamento do último trecho de calçadão que lhe restava. Fruto da "revitalização" orwelliana em curso na região.

E para terminar, cidade limpa, respeito zero: retirada de anúncio em banco e tentativa de homicídio na rua Augusta. Cones e faixas para proteger os pedestres? Respeito a quem tem dificuldade de locomoção? Bobagem, melhor não atrapalhar o trânsito.
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Bicicletada de março depois de uma semana quente e poluída em São Paulo.
[53 fotos] [vídeo]

25 pessoas
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25 pessoas

19 pessoas
Uma pessoa ao celular

A volta:
A praça

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Dois cartazes que circularam na Bicicletada da última sexta-feira. Para baixar, imprimir e pendurar. No disco virtual.
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